
I
A liberdade de Imprensa,
Da qual tem sede a nação,
Só existe estruturada
Na liberdade de expressão.
II
Siamesas liberdades
Não por todos conhecidas.
São tão caras as verdades
Quitadas com a própria vida.
III
A certeza ainda é um sonho
Neste país tropical,
Onde o que vemos e ouvimos
É uma Imprensa Parcial.
IV
Já é terceiro milênio.
Que vã globalização!
Se mais de um terço dos povos
São presos na escuridão.
V
Escuridão que mais cega,
Enfraquece sem piedade,
E aquela que enegrece
O seu direito e a verdade.
VI
Democracia se mede
Na segurança e na crença
Com que um povo exerce
A liberdade de Imprensa.
VII
Se há poderes paralelos,
O jornalista é um garimpeiro
Que se veste de coragem
Traz o filão por inteiro.
VIII
Enfrentam comandos vários,
Fuzis, tortura, omissão,
Em busca de uma verdade
Para a imprensa e expressão.
IX
Siamesas liberdades
Nem por todos conhecidas.
São tão caras as verdades
Quitadas com a própria vida.
X
Ele foi filmar os bailes
Da exploração infantil,
Do tráfico e armamentos
Que mais matam no Brasil.
XI
Verdade sangrou no morro.
Vermelho verso, eu lamento...
O nosso Arcanjo Antonino
Lopes do Nascimento.
XII
Sua história não é uma,
O morro pouco mudou.
Mas, a verdade, Tim Lopes,
Jamais te amedrontou.
XIII
Entre segredos de estado
E paralelos poderes,
Cumpre a imprensa brasileira
Só parte dos seus deveres.
XIV
É mais fácil comandar
Fabricando informação
Na empresa dos bondinhos
Na cegueira da nação.
XV
Assim caminha a imprensa,
Gritando por liberdade,
Nas garras da oligarquia
Que torce nossas verdades.
XVI
Siamesas liberdades...
Nem por todos conhecidas.
São tão caras as verdades
Quitadas com a própria vida.